sábado, 28 de novembro de 2009
Homens de negócios
Levantou-se da poltrona e dirigiu-se até a cômoda próxima à cama. Pegou uma pequena embalagem de fósforos – cortesia do estabelecimento, vejam só! – e acendeu um cigarro. Ficou fumando pacientemente, de pé, deixando a fumaça escapar pelas narinas e pelos lábios entreabertos. Passou a mão livre pelos cabelos molhados, agitando-os e fazendo respingar água na cama e nos móveis – “móveis o diabo, não havia quase nada naquela porcaria de quarto” – ao redor. Aproximou-se da janela e abriu-a, apoiando os cotovelos no parapeito e sentindo o vento e a chuva fria castigarem-lhe o rosto. O cigarro apagara-se e caíra. O homem pressionava os lábios, olhando a auto-estrada deserta e iluminada exclusivamente pela pouca luz do luar que conseguia atravessar as nuvens negras e agourentas no céu acima. Cruzou os braços sobre o parapeito e apoiou neles o queixo, cerrando os olhos. Adormecia quando duas batidas firmes na porta às suas costas ecoaram no pequenino aposento.
− Já estava na hora. – resmungou, rodando a chave e girando a maçaneta. Aguardava, do outro lado, um homem na casa dos cinqüenta anos, cabelos grisalhos bem cortados, óculos de aros circulares e uma barriga saliente. Vestia uma calça e camiseta pretas, com um impermeável da mesma cor. Cumprimentaram-se com um profissional aperto de mãos e o recém-chegado adentrou o aposento.
− Trouxe o dinheiro? – perguntava o Primeiro Homem, esfregando as mãos, apreensivo. O outro balançou a cabeça em sinal afirmativo, perguntando em seguida:
− Trouxe sua parte? – de imediato, o Primeiro Homem sacudiu uma chave que saíra do bolso interno da jaqueta que usava. O Segundo sorriu satisfeito.
Sentaram-se na cama, olhando-se fixamente. Nenhum dos dois tinha interesse em prolongar muito mais aquilo e dar pensamentos errados ao balconista do motel. Assim sendo, o Segundo Homem jogou sobre o colchão um saco marrom, que parou na metade do caminho que separava os dois. O Primeiro Homem estendeu o braço e pegou o saco, examinando o conteúdo interno. Enfiou a mão e tirou de lá um grosso maço de dólares preso com um elástico. Rapidamente contou as notas e sorriu satisfeito. Meio milhão de dólares em benjamins. Guardou o conteúdo no bolso e arremessou a chave em direção ao Segundo Homem.
− Foi um prazer fazer negócio com você. – disse o Primeiro.
− O prazer foi todo meu. – respondeu o Segundo. Ambos sorriam, certos de que saíram com o maior lucro do acordo. O Primeiro deixava o aposento contente com o dinheiro. O Segundo levava consigo a chave de uma casa onde uma mulher dedicada e dois lindos filhos esperavam o novo chefe da família.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Vamos beber uma xícara de café
Gostaria de começar esse post dizendo que o post anterior ("Operação Limpeza") foi o post 69. Sim, senhor! O post 69. Sessenta e nove. Sugestivo, não? Tanto que o Dia do Sexo foi comemorado esse ano (não tenho certeza se houve semelhante data nos anos anteriores) no dia Seis de Setembro (6/9). Realmente, esse pessoal que decide as datas está bem malandro não?
Claro que não mais malandros do que eu! Por quê? Ahh, rapaz! Agora eu tenho um Twitter. É, aquela coisinha que surgiu apelidado como um "micro-blog" que ninguém, de início, deu muita bola. Acontece que agora o troço virou uma moda mundial! Todos os famosos tem um. Alguns usam bastante do seu profile (como o Marcos Mion e William Bonner) e outros nem tanto.
Como que eu, visível adepto de tudo que está na moda e é fancy poderia ficar de fora dessa onda, companheiros? HAHA! Agora, falando sério, o que me levou a fazer foi mais o fato de ler tanta coisa sobre as postagens do Bonner e do Marcos Mion. Pensei que pode ser uma boa forma de conseguir umas risadas no fim do dia ou de, pelo menos, adquirir informações fresquinhas antes mesmo de serem divulgadas nos principais meios de comunicação.
Próximo tópico, por favor! Na verdade, voltemos ao tópico anterior. Fiz uma pausa na elaboração desse post e chequei os novos tweets (me divertindo, uepa!) e o Mion acabou brindando-me com uma coisa engraçada (bem como eu esperava ver). Segue a transcrição:
"mionzera Vamos lá! Serei sincero!! Mesmo o @DaniloGentili sendo meu concorrente de vmb e tudo, tenho que admitir que o show dele é...uma bosta."
HAHA, Marcos Mion é um cara divertido, sou fã dele.
Anyway, passemos a falar de outra coisa meus caros. Devo dizer que estou fazendo um esforço descomunal para não enveredar pelo rumo de "oh como minha vida vai ficar difícil com o fim dessa semana de folga e com a volta intensa à maratona pré-vestibular". Por mais que eu queira fazer isso, não tem o porquê. Vamos procurar assuntos mais produtivos, okay?
Estava falando com o Mr. Scott C ("lead guitar! Aaaee!") e o garoto citou um "wink". Sabe, aquelas imagens móveis do Messenger. Meu, isso me fez lembrar a época que a primeira versão do programa com esse aplicativo dos winks foi lançada e o RockGol de Domingo ficava fazendo propaganda dela, ah muito idiota. Quer coisa mais inútil que winks? São inconvenientes, barulhentos, sem graças e... inúteis. Extremamente inúteis. Admira-me muito que a Microsoft tenha mantido essa coisa completamente dispensável nas versões posteriores do Messenger.
Hunf, revolto-me com winks. HAHAHA
Ahh, falando em revolta...
Hoje mais cedo estava batendo um papo com o Sr. Guilherme Inojosa e este demonstrou sua insatisfação com a escolha das figuras famosas que aparecem nas diversas notas de dólares nos EUA. Para quem não sabe, as notas norte-americanas possuem um presidente estampado. A de um dólar é o Lincoln, de dois o Thomas Jefferson, de cem o Benjamim Franklin. Essas são as figuras mais icônicas. Contudo, existem outras como Alexander Hamilton, Andrew Jackson e Ulysses Grant. E aí estava a revolta do meu companheiro! Dizia ele: "Oras, o cara que escreveu a carta de independência [referindo-se ao Jefferson] relegado a uma nota de dois dólares! Quem é esse Ulysses Grant que fica com a de 50 dólares?"
Então eu levantei a questão: Imaginem só se o nosso Real também possuíse o rosto de grandes chefes do poder executivo estampado, huh? Com certeza, a nota mais falsa seria a que tivesse estampado o Fernando Collor de Mello/Melo. HAHAHA
Bem, acho que por hoje basta.
Boa noite, meus amiguinhos, porque agora a Patitucci vai ali me fazer um strip na cam que ela está devendo! HAHAHAHA
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Operação Limpeza
Quem aí nunca se deparou com reportagens falando sobre pessoas atacadas por perfis falsos no Orkut? Ou quem sabe, até mesmo vivenciou tais ataques. Pois bem, os malfeitores sempre são perfis que não correspondem realmente a uma pessoa na “vida desplugada”. São os famigerados fakes.
Daí, depois dos ataques, sempre rolam uns processos movidos contra o Google para retirar da página o perfil do agressor, para indenizar a vítima e uma infinidade de outras coisas. Contudo, isso acontece tanto que a própria incapacidade da adminstração do site de relacionamentos em lidar com a situação já quase levou o Orkut à suspensão total.
Agora, imaginemos que os ataques tornem-se tão intoleráveis, mas tão intoleráveis, que – para continuar existindo – o Google vê-se obrigado a retirar do ar todos, todos os profiles falsos.
Imaginou? Pois é.
No dia seguinte à operação, não restava profile algum.
domingo, 13 de setembro de 2009
Notícias que não mudaram sua vida
Ele encantou milhões. Seduziu bilhões. Vendeu trilhões. Suas músicas até hoje são encontradas em ipods, computadores e aparelhos de som de adultos e jovens do mundo todo. Poucos que uma vez já tiveram contato com aqueles olhos bicolores e roupas chamativas o esquecem. Sem sombra de dúvida, David Bowie é um dos maiores músicos que já pisaram nesse planeta (e, provavelmente, o único que também pisou em outros, como Marte).
Contudo, ele ainda não estava completo.
Sim senhor, ainda não era um artista satisfeito, embora possuísse uma das mais invejáveis carreiras.
Até então.
De fato, nenhum artista realmente pode se considerar bem-sucedido caso não tenha algum espécime com seu nome. Ah, não senhor! Afinal, é um pré-requisito para julgar a qualidade de alguém enquanto artista. Que tipo de músico, ator ou qualquer outra coisa pode ser bom se nem tem ao menos alguma espécie com seu nome?
E eu fiquei sabendo que o Gene Simmons já está pagando uns cientistas para darem seu nome em alguma espécie aí. E depois revender vários bonequinhos do bicho.
E várias bebidas com o nome do bicho.
E camisetas.
E canecas.
E cartas de baralho.
E perfumes.
E, por que não, camisinhas.
Imaginem só: Camisinhas Heteropoda genesimmonsinae, para um verdadeiro sexo animal!
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Ahhh
... deu cãibra.
sábado, 22 de agosto de 2009
FETICHE
Quando abri e deparei-me com a imagem da contracapa, estaquei. Uma maravilhosa loura de olhos verdes e lábios fartos fitava-me intrigantemente. Tara Moss é seu nome e confesso que fiquei embasbacado com a trajetória daquela mulher: ex-modelo, apresentadora de um programa de investigação no National Geographic, embaixadora da UNICEF e, ainda, graduada recentemente no curso da Academia Australiana de Investigação. Fazia tempo que não ficava tão deslumbrado assim. Certamente, pensava eu, aquele seria um dos melhores thrillers que leria em muito tempo.
Contudo, devo dizer que fiquei um pouco decepcionado. Tentarei elencar aqui os motivos dessa decepção em uma espécie de review, mas logo aviso que não é minha intenção soar arrogante nem nada do gênero. Só quero me aventurar por um tipo de texto novo. E, além do mais, como diria Stephen King, se você dá ouvidos aos críticos, quer dizer que eles estão sempre certos.
A estória é sobre uma modelo (loura, linda e de olhos verdes) que viaja à Austrália para encontrar-se com sua melhor amiga, Catherine Gerber. Contudo, ao chegar, descobre que esta havia sido morta. Makkedde, a protagonista, faz então a si mesma uma promessa de não voltar ao Canadá, sua terra de origem, antes de encontrar o assassino de Catherine. A partir daí, a trama vai se desenrolando e Mak acaba por se envolver com o detetive responsável pelo caso, Andrew Flynn.
O enredo é, de fato, bastante promissor. E o perfil do psicopata é bem construído: traumas infantis, comportamento estranho na adolescência, algum tipo de fetiche sexual durante o ato criminoso e os “souvenirs” roubados da vítima. Entretanto, parece faltar ao livro a capacidade de manter o leitor tenso a cada virar de páginas ou de prendê-lo no decorrer dos acontecimentos, impedindo-o de largar o livro. No romance de Tara, a narradora lhe guia de uma forma que acaba deixando tudo claro e óbvio: os suspeitos que aparecem são óbvios e nitidamente inocentes – além do fato de serem poucos. Porém, há uma grande sacada que faria a estória esquentar e adquirir um ritmo cheio de adrenalina: trata-se do momento quando o detetive Andy Flynn aparece como principal suspeito de um dos assassinatos, por ter seu sangue e impressões digitais encontrados na cena do crime. Contudo, não demora muito e a narradora já desfaz esse mistério sem ainda desfazer todo o mistério. No fim, a impressão que fica é que a Senhorita Moss pretende pegar cada leitor pela mão e guiá-lo lenta e gradualmente pela aventura, jogando todas as informações aos pedaços para tornar desnecessário qualquer esforço mental por parte dos leitores, tornando tudo, a um determinado ponto, enfadonho.
Acho também importante citar a ingenuidade de Makkeddde. Esperava-se um pouco mais de malícia de uma estudante de psicologia forense, ainda mais quando esta está ciente que corre grave perigo, por já ter recebido inúmeras ameaças do possível serial killer. Mas não, há certas coisas que ela faz – ou deixa de fazer – que simplesmente contrariam o bom senso de alguém que acredita ser a próxima vítima de um assassino serial violento. Lembra bastante algumas personagens de novela, na verdade.
No entanto, esse ainda é o primeiro livro de Tara e, isto é inegável, ela possui talento – tanto que o próprio Fetiche já é um bestseller. Creio que os próximos livros deverão ser incríveis, portanto continuarei a ler seus lançamentos.
E, no fim das contas, até mesmo Machado de Assis escreveu obras que nada tinham de excepcional antes de descobrir o gênio dentro de si.
